26 dezembro, 2011

mais ou menos tudo sobre 2011__

Um ano sobre cansaço, insônia, madrugadas compridas,
sofrimentos instantâneos e duradouros além da conta,
questionamentos,
perda e recuperação de diversos tipos de fé,
bons amigos e novos bons amigos,
e sorrisos incomparáveis.

Porque no fim das contas, todos os anos tem algumas [muitas] coisas boas que acontecem
Sobre o que fazemos por amar os outros,
por se apaixonar de bobeira,
e por amar a nós mesmos.
(e que costumamos esquecer)

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Eu quis que tudo fosse mais simples,
mais fácil.
Depois percebi que não tinha nada a ver.

Eu corri.
Eu voltei a ser totalmente sedentária.
Eu parei de comer.

Eu me apaixonei.
De verdade. Mais que uma vez
e de maneiras completamente diferentes.

Eu fui impulsiva e muito.
Por motivos bons e sem arrependimento.

Eu comprei um livro do Thomas Pynchon pra mim de aniversário/Natal.
Porque eu entrei na Cultura, fui ver livros em inglês e trombei com ele
daquele jeito com puta cara de sinal
(pra pessoas que veem sinal de alguma coisa desse tipo pelo menos 7 vezes ao dia)
Eu não tinha idéia de quem era Thomas Pynchon até julho desse ano.

Eu fiz berinjela assada mais vezes do que meu corpo podia lidar
com um copo de azeite num prato só

Eu comprei Santa Helena num dia de outubro por pura saudade

Eu bebi pra dormir.

Eu passei duas semanas acordando de hora em hora toda noite
pra ver se tinha qualquer notícia.

Eu acumulei garrafas na varanda.

Eu conheci quem me inspirou a começar tudo isso.
E outros que me inspiraram a continuar.

Eu acordei chorando de perder as contas,
eu chorei muito mais vezes do que seria recomendado prum corpo desidratado.
Eu gritei e bati na parede,
atirei coisas longe,
eu chorei no corredor
e no banheiro do bar.

Eu escrevi cartas. De verdade.
Que se manda pelo correio.
Responderam minhas cartas.
Perderam minhas cartas.

Eu quase chorei no meio de um recital.
Tocando o quarteto do Brumby.
Eu sempre quis tocar o Brumby, mas não a ponto de chorar.

Eu fiquei puta pelo menos 106 vezes
com o fato das pessoas não enxergarem o que tá na cara delas.

Eu voltei a cozinhar por puro amor próprio.
(e saudade de casa)

Eu perdi a fé quase que absolutamente em casais envolvendo músicos
e na possibilidade de ter alguém realmente do meu lado.

Eu toquei muito bem numa palestra do Barry Green.
Sem aquecer. Sem nunca ter tocado no baixo antes.
E me senti incrivelmente bem.

Eu pulei uns 5 metros pra dentro de uma cachoeira.
Mas provavelmente teria arregado se a Val não tivesse ido primeiro.

Eu chorei com músicas demodê
e com coisas bregas
e coisas que nunca vi a menor graça.

Eu falei sozinha na rua a ponto de olharem estranho pra mim.
Eu conversei várias vezes com o Stephan estando sozinha.
Eu passei a cantar alto quando meu fone quebrou
(e eu voltei a ouvir as pessoas)

Eu quase chorei em quase todos os concertos da Tom.
Nos outros eu chorei pra valer.

Eu toquei músicas de pessoas
e com pessoas
que me ensinaram o que era amar
antes mesmo de ter consciência disso.

Eu me orgulhei de perder a conta
de ser amiga de certos amigos extremamente talentosos
(e mais extremamente ainda pessoas maravilhosas)

Eu fui comprar material de desenho no fim do ano
e não era pra mim.
(Mas comprei uma pena nova pra mim
porque achei que merecia.)

Eu desisti de falar com alguém do meu lado.

Eu percebi que existem pessoas no mundo
com quem você pode ser muito feliz tocando junto.

Eu bebi antes das 7 da manhã.
E não fiquei bêbada.
Mas não fiquei mais triste também.

Eu fiquei orgulhosa de mim por coisas bobas.
E pensando depois, foi realmente importante.

Eu revelei fotos.
Eu pus um monte delas na parede antes das oito da manhã.
E voltei a dormir.

Eu não quis voltar pra casa.
(Na casa só tinha fotos esperando.)

Eu tomei um shot e fui pra vida.

Eu nunca vi tantas pessoas chorando em mesas de bar.
E por motivos realmente consideráveis.

Eu me encontrei em um monte de pequenos momentos musicais.
Eu me perdi totalmente da razão.
Eu me encontrei comigo mais vezes do que gostaria
Com direito a gritos, brigas e abraços de saudade.

Eu encontrei pessoas pra conversar
e entender.
Pessoas com quem sonhar.

Eu fugi.
De pessoas, situações, testes, do meu contrabaixo.
De mim.

Eu não quis morrer.
Mas também não dava a mínima pra viver.

Eu tive muito, muito medo.

Eu recebi elogios inesperados.
Inusitados.
De pessoas que eu realmente admiro.
E fiquei orgulhosa de mim.

Eu fiz brindes e quebrei taças.

Eu escrevi uma pilha de cartas que não foram enviadas.
Que não tem data certa pra serem.

Eu fui no Municipal ver o John Malkovich
(e eu realmente achava que nunca ia vê-lo no teatro)
ver meus amigos tocarem,
ver minha professora tocando meu solo de ópera preferido.

Eu fiquei sozinha.
De novo,
e de novo
e de novo.
E percebi que é normal.
Percebi que eu gosto muito
e odeio ao mesmo tempo.

Eu disse 'foda-se' e me diverti pra caralho.

Eu escrevi músicas.
De harmonia besta,
mas sinceras de doer (pelo menos no meu peito)
Eu gravei uma com meu pai.

Eu voltei a andar de skate.
Fiquei bêbada e tomei um puta tombo
-tudo dentro do previsto.

Eu me surpreendi sentindo mais saudade
do que esperava.
do que deveria.
Mais do que um dia achei ser possível.
Saudade de uma semana,
saudade de ônibus saindo da rodoviária voltando pra Sampa,
saudade de ônibus voltando pra Curita,
saudade de avião e de problema não solucionado
saudade fechando a porta do carro.
Saudade de tempo todo,
saudade de casa,
de quem ficou pra trás e mudou,
saudade do 'até quando?'
do 'quando de volta?'
do 'quando?'
saudade inesperada,
saudade temida
saudade chorada,
saudade aos berros
e no maior segredo.
saudade de um dia,
de umas poucas horas,
do que eu nem lembrava mais,
de quem eu finjo que não sinto,
de que eu me acostumei a sentir,
saudade de mim.

Eu acreditei em recuperações, em reviravoltas,
em milagres, em promessas,
em tudo de absurdo relacionado à mudanças.
Eu mandei tudo à merda.

Eu fiquei preocupada.
Desesperada.
Compulsiva.
Sassariquenta,
Confusamente bilíngue,
Tonta que só,
Triste que só vendo,
Brava,
Absurdamente possessa,
Semi-zen,
Riso fácil,
Bêbada,
Medrosa,
Engraçada,
Impulsiva,
Alegre de dar gosto,
Absolutamente maluca.
E daí voltei meio ao normal.
(todas as anteriores incluídas)

Eu quis ir pra casa,
que esquecessem meu nome.
Que se lembrassem de mim.
Que percebessem.
Que entendessem.

Eu quis parar de chorar.
Eu não consegui.

Eu ganhei cds incrivelmente bons de amigos
que realmente sabem fazer música
e te fazer dar risada.

Eu vi meus exemplos de força
parecendo tão frágeis.
Eu fiquei tão triste
que quase não percebi quem tava triste também.

Eu arrumei pela última vez do ano a casa,
pra estar bonitinha quando voltar.
Ouvindo música e cantando alto.
E senti um negócio rasgando meu peito,
doído de verdade.

Fui me despedir dos meus amigos.
Pra viagens, férias, viagens de trabalho e de sonho.
Respondi mensagens do outro lado do mundo,
fiz amigos por osmose.

Eu desenterrei músicas.
Eu ouvi a mesma música um milhão de vezes.

Eu consolei pessoas
quando já não achava coisa nenhuma pra acreditar,
muito menos pra dizer.


Percebi que acabei parando em dois lugares
onde me faz muito bem estudar
E  que não existem turmas perfeitas,
mas as nossas chegam bem perto.
Minha família aumentou,
meu coração estreitou,
e voltou a ser corajoso que si só.
Eu perdi meu quarteto,
mas ganhei um trio.
E um duo pro próximo ano.
(2 ou 3 às vezes é muito mais que 4)


Eu me decepcionei com pessoas,
eu me surpreendi com pessoas,
eu deixei de prestar atenção em quem realmente merecia
e caí na mesma bobagem que alguns
de julgar precipitadamente mal suas opiniões
ou ações sobre algo a meu respeito.

Eu esperei que entendessem.
E percebi que quase nunca isso acontece.

Eu me despedi.
Eu fui procurar.
Eu fiquei esperando.
E em algum momento eu percebi que,
totalmente contra minha vontade e convicções,
estava começando a desistir.

Eu casquei o bico,
chorei, reclamei
e falei um monte com a minha mãe no telefone.
Eu fui vê-la bem menos do que gostaria.

Eu me conformei comigo mesma.
Com toda a incompetência, falta de realizações
e planos bem sucedidos dos últimos anos.
Pra que pudesse finalmente começar a mudar.

Eu ganhei amigos.
Ganhei sorrisos incomparáveis,
abraços, declarações,
poemas perfeitamente escolhidos.
E um versinho improvisado e bonito.

Eu subi no telhado pra ver estrelas.

Eu quase dormi na grama.

Eu guardei pedras e conchas.

Eu dormi muito pouco.
Acordei muito tarde.
Não consegui acordar.
Não queria acordar.

Eu passei uma semana me alimentando basicamente
de coxinha e cerveja.

Eu entendi um pouco melhor os cachorros.
Os gatos continuaram me fascinando.
E entendi ainda menos as pessoas.

Eu vi semi-milagres de Natal.

Eu chorei de dar risada com a minha irmã.

Eu vi o sol nascer.
Conversando,
voltando pra casa,
ouvindo música boa,
esperando o metrô abrir.
E sorri.

Eu fiz as malas mais uma vez.

Eu comecei tudo de novo.

















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